13 de mai de 2011

Se Deus quer que todos os homens se arrependam, então temos um problema. Não, uma heresia.


Se existe uma questão discutida na teologia reformada cuja longevidade parece-nos não ter fim, é a conciliação que se procura fazer entre a redenção particular e o querer de Deus em desejar que todos os homens se arrependam e sejam salvos. Confesso que, só de escrever tal coisa, me envolve a clara convicção de que tal conciliação não me parece ser possível, posto que, a meu ver se contradizem claramente, ou ainda, faz com que o desejo e as palavras de Deus se contradigam. Sei que tal tema é de arquear as sobrancelhas, e sei que serão muito mais levantadas pela forma com a qual tratarei a questão. Contudo, muitos de nós vivemos com mistérios, os quais nós chamamos de paradoxos. A interpretação tradicional sustenta sua crença resignadamente admitindo humildemente o paradoxo da questão. Eu também admito certo grau de mistério na forma como eu, e alguns poucos teólogos enxergamos o problema proposto. Mas permanecerei crendo neste mistério do que render-me ao outro. Um direito que me assiste. Sei que para os reformados que discordam da crença de que Deus deseja que todos os homens se arrependam, essa visão é amplamente comprometedora, da qual fluem algumas outras inconsistências. Eu, porém, no presente artigo ater-me-ei a questão do inclusivismo.

Creio que se defendermos a crença de que Deus, embora eleja alguns da raça caída para salvação, deseja que todos os homens sem exceção sejam salvos, tal visão, a meu ver, desaguará em duas crenças, das quais uma antes era raramente defendida mas encontra terreno amplo atualmente, e a outra é defendida por um considerável número de reformados. A primeira é o inclusivismo que será tratado nessa primeira postagem, e a segunda é a expiação ilimitada que se opõe a redenção particular que será tratada em um artigo posterior.

Analisemos primeiramente o inclusivismo. Antes, uma sintética definição do inclusivismo se faz necessária. O inclusivismo diz que Deus salva pessoas por meio de Cristo, a sua revelação especial e tais pessoas constituem-se em povos cujas terras o evangelho já alcançou. Porém, existem pessoas, habitantes de terras nas quais o evangelho ainda não foi anunciado, e por essa razão, muitos têm morrido sem que pudessem ouvir a mensagem do evangelho. Deus, em sua infinita misericórdia, a fim de oportunizar a salvação a estes, provê outros meios além da revelação especial para salvá-los. Tais meios constituem-se em outras formas de se “crer em Deus” de uma forma “justa”, sincrética e moralmente conciliatória com o cristianismo. Assim o chamado “problema soteriológico do mal” é resolvido, respondendo a complexa [para alguns] pergunta que se segue: Como Deus salva os não evangelizados? O inclusivista responde: Por outros meios [religiões, natureza, conduta de ética semelhante a cristianismo], pois eles não conhecem a Cristo, e destiná-los ao inferno sem que antes possam ter tido a oportunidade de crer no verdadeiro Deus é no mínimo inconciliatório com a crença num Deus cuja natureza é amor. Por mais que para muitos, tal tema nada possa contribuir ou convergir para a discussão em apreço, analisemos a minha tese. Primeiro relembremos o versículo-chefe dessa discussão:

“Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” [Ezequiel 18.23]

Retoricamente Deus pergunta se porventura ele se compraz na morte do ímpio. Creio que a chave para compreendermos tal versículo está contida no verso 31:

“Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que razão morreríeis, ó casa de Israel?” [ v.31]

A quem tal pergunta foi direcionada? A qual povo tal exortação foi estendida? A todos os povos? Evidente que não, mas à Israel somente. Agora reflitamos. Se Deus não deseja que o ímpio pereça, e se por ímpio entendermos todos os ímpios, indistintamente e sem exceção a povoarem o planeta - leve em conta os que povoavam o mundo no tempo dessa mensagem - a enumerar todos os ímpios da terra, e se entendermos assim, e interpretarmos a ocorrência dessa palavra, pela qual Deus demonstrou um desejo semelhante dessa forma, não haveria uma inconsistência em Deus, de querer a salvação de todos os ímpios, mas ao mesmo tempo, expressar tal desejo unicamente à Israel por meio da mensagem que só a eles foi transmitida?  Sabemos que no tempo que antecedeu a plenitude dos tempos, Deus ocultou sua graça a todos os povos, revelando-a seletivamente à Israel, e isso é o que entendemos por abrangência do evangelho do NT, em detrimento da seletividade da eleição no AT, onde nesta a salvação foi claramente restringida por Deus somente ao seu povo, Israel. Por essa razão não me admira o fato de, por exemplo, haver 159 ocorrências da palavra misericórdia somente nos salmos, quase sempre ditas e contidas numa súplica, e todas elas terem sido feitas por lábios israelitas, e não por povos por Deus rejeitados. Algumas passagens ajudam-nos a compreendermos a restritividade de Deus no AT, como o que se segue:

“Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranha às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo”. [Ef 2.12]

O texto acima é claro, ao ponto de distanciar-nos de quaisquer interpretações que não se alinhem à seguinte conclusão: Deus privou povos no AT de conhecerem o seu nome e por ele serem salvos.

Na verdade, existem passagens no AT, pelas quais Deus revelou-nos o seu desejo futuro de abrigar outros povos além, de Israel, ao grande reduto do evangelho, a ser revelado de igual modo no tempo futuro. À Israel Deus disse:

“O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos;” [DT 7.7]

No Início do capítulo no qual o verso acima está incluído, Deus diz que dará as terras de nações estranhas ao seu povo escolhido. Deus ordena a destruição desses, tal como destruiu os homens em tempos diluvianos, valendo-se da mesma justiça que lhe compete. Em seguida, Deus fala-lhes sobre a eleição com a qual foram contemplados, e cuja qual as outras nações, chamadas por Deus de estranhas, não receberam. O que parece mais coerente dizer sobre o paradeiro dos que Deus não se revelou? Ou seja, qual foi o destino das nações as quais Deus não se propôs se revelar a elas? Salvação? Mas como poderíamos supor tal coisa, posto que, no NT Deus diz ter rejeitado tais nações, como se pode concluir no verso abaixo?

“Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranha às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo”. [Ef 2.12]

Ou ainda, pelo texto abaixo:

“Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” [1 Pe 2.10]

Essa é a magnitude do evangelho em relação o tempo da Lei. Neste, Deus resgatou pra si, um único povo, de uma única língua e raça, a fim de torná-lo sua propriedade, e por ela ser glorificado, acima e diante de outras nações, cada qual com seus respectivos deuses. É certo que Deus pregou a povos estranhos como a Nínive. Porém, isso se constitui, a meu ver, numa exceção de prerrogativa divina, da qual não podemos inferir uma regra. Pois a própria realidade a eximiria, bem como os versículos que a sustentam. Deus não quis salvar todos os povos antes do evangelho. Tal ato de misericórdia estava reservado, por Ele mesmo, para a revelação do evangelho. É fato que no tempo do AT Deus restringiu-se, decretatoriamente, a revelar-se somente a Israel, como se vê, claramente no texto abaixo:

“Porque és povo santo ao SENHOR teu Deus; e o SENHOR te escolheu, de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu próprio povo.” [DT 14.2]

Ou pela pena de Amós: 

“De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades.” [Am 3.2]

Mesmo podendo recorrer a outros versículos, por meio dos quais tal conclusão se enrobusteceria mais e mais, atenho-me aqui, para fazer uma pergunta: Como Deus pode desejar a salvação de todos os homens, e, por conseguinte, não desejar a morte dos ímpios, e isso sem exceção, se Ele mesmo foi quem se propôs a revelar-se privadamente a Israel, e dele, resgatar o seu povo exclusivo? Como poderíamos conciliar a interpretação mais popular de Ezequiel 18.23 com o fato inconteste de que o próprio Deus não se revelou a todos os povos no antigo testamento, banindo-os a condenação? É como diz Paulo, tais povos [nós, gentios] eram sem Deus no mundo, e ele diz isso aos gentios, esclarecendo-os de que em tempos pregressos ao do evangelho, eles não tiveram a oportunidade que hoje gozam, de serem salvos. Isso porque Deus não quis, e nisso consiste a grandiosidade do tempo do evangelho em relação ao tempo da lei. Neste, Deus salvou um povo, de uma única língua e raça. Naquele, Deus pretende salvar muitos homens. Não apenas de um povo, mas de todo povo, de toda raça, tribo e língua. No AT, vemos uma promessa futura, na qual Deus promete aumentar as cercas que delimitam sua provisão misericordiosa às demais nações:

“E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o SENHOR dos Exércitos.” [Ag 2.7]

“Todas as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua face, Senhor, e glorificarão o teu nome.” [Sl 86.9]

Assim, compreendemos terminantemente a áurea promessa do derramamento do Espírito Santo, a ser derramado em todas as nações:

“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.” [JL 2.28]
No evangelho, os salvos não são chamados de uma única nação, senão de todas as nações serão recolhidos e comporão o povo exclusivo de Deus.
Mediante a prova bíblica, tal verdade é irrefutável. As Escrituras são sobejamente claras. Foi Jesus quem disse que, a pregação do evangelho é estendida a todas as nações: “Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações” [Mc 13.10] Os profetas, porém, em tempos de Israel foram revestidos por tal alçada mundialmente englobadora? Não, não foram. Senão vejamos: A palavra de Jeremias foi essa: “Ouvi a palavra que o SENHOR vos fala a vós, ó casa de Israel.” [Jr 10.1] A Missão de Ezequiel foi de igual modo restritiva à casa de Israel: “E dize ao rebelde, à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Bastem-vos todas as vossas abominações, ó casa de Israel!” [Ez 44.6]. Amós não foi diferente: “Porque assim diz o SENHOR à casa de Israel: Buscai-me, e vivei.” [Am 5.4]. Por essas bases poderemos compreender por qual razão em “tempos passados [Deus] deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos” [At 14.2]

Diante do que disse, não há possibilidade de sustentar a crença de que Deus deseja que todos os homens se salvem, visto que ele mesmo não quis que tal coisa acontecesse, a menos, e ai chego ao cerne da proposta do artigo, que se creia que Deus deseja que todos os homens sejam salvos, e para atingir tal propósito, ou ainda justificar tal querer, se creia que Deus provê meios diferentes para a sua salvação, meios que se somarão à mensagem da revelação especial, cuja qual muitos povos a desconhecem. Vejamos um exemplo. Das nações rejeitadas por Deus no AT, encontram-se os egípcios. A tenda da congregação não chegou até eles, eles não possuíam a arca, que simboliza a presença de Deus, e sequer entraram no templo da Glória de Deus, para nele o devotarem culto. Reflita nisso ao lado da leitura do texto chave da questão: 

“Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” [Ezequiel 18.23]

Esse texto compreende tal nação? O querer de Deus envolve-os? Se não, como Deus não deseja que o ímpio egípcio não morra, se a mensagem contida no texto acima, não lhes foi direcionada, senão aos Israelitas? Eles sequer souberam dessa mensagem. Sequer ouviram-na pelo profeta. Eram como diz Paulo “Sem Deus no mundo” [Ef 2.12]

A meu ver, a única solução para essa questão, embora a Escritura não a ratifique [Assim creio, por ser restritivista] é o inclusivismo. A única forma de afirmar que Deus deseja que todos os homens sejam salvos, será conciliar tal coisa com uma crença na qual Deus procure oportunizar a salvação a todos indistintamente e tal crença consiste no Inclusivismo. Isso não é universalismo. O universalismo é determinista, pois diz que Deus inevitavelmente salvará a todos. O inclusivismo, ao contrário, diz que Deus faz a salvação ser potencialmente possível a todos os povos, mesmo aos que estão além dos marcos do seu povo, havendo ainda a possibilidade de condenação. Mas ninguém será condenado, sem que antes não tenha tido a clara oportunidade dada por Deus de se converter. E essa é a única visão com a qual se poderá afirmar categoricamente que Deus não deseja que nenhum ímpio seja condenado ao inferno. Afirmar que Jesus é o único caminho que nos conduz a salvação, ao lado da afirmação de que Deus deseja que todos os homens sejam salvos, inclusive os que morreram sem terem sequer ouvido o nome de Jesus, nas terras onde, muitos ainda morrerão sob tal condição, é expor Deus a uma visão mais turva e nublada da qual se acarretará implicações ainda mais desastrosas. 

Concluindo, creio que a crença de que Deus deseja que todos os homens sem exceção se salvem redundará sem sombra de dúvida no Inclusivismo, a única linha teológica que afirma estar a salvação cabalmente ao alcance de todos os homens no mundo, e que sempre esteve, a  despeito da ausência de Jesus Cristo.

Na próxima postagem tratarei do tema e sua conexão inevitável com a expiação ilimitada.

Graça e Paz
Mizael Reis

34 comentários:

  1. Diversos assuntos têm inquietado muitos de nós cristãos e a internet tem sido um espaço precioso onde podemos discutir diferentes pontos de vista sobre a religião, cultura, política e, sobretudo, o que acontece na sociedade seja no Brasil como em todo o mundo.

    E essa é a proposta do blog independente Conversa Protestante, ou seja, o pensamento e a expressão de idéias sobre tudo aquilo que está ao nosso redor.

    Faça uma visita e, se puder, coloque o nosso link em seu blog para dar aquela força!.

    http://conversaprotestante.blogspot.com

    Abs.

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  2. Caro irmão Mizael,eventualmente leio seus textos, indiretamente no outro blog do irmão Jorge, ou aqui quando você lá no Kálamos aponta para um texto específico. Parabéns pela exposição pedagógica e clara, de algo que, como você mesmo disse, não concorda, mas como informação e para eventual comparação, ficou ótima e de utilidade a quem precisa ou quer estudar o assunto.

    Um grande abraço meu irmão. Lerei as próximas.

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  3. Mizael,

    ótimo texto!

    Como tenho prévia autorização sua para republicar qualquer um dos seus textos, este vai para o "Guerra pela Verdade", ok!

    Bem, entendo que o caminho de se analisar Deus com duas vontades, uma contradizendo a outra, implicará inevitalmente em formas distorcidas de doutrina, como o universalismo, o inclusivismo, o arminianismo, o pelagianismo, etc. Além de fazer de Deus "bipolar", o que é impossível [ferindo sua soberania e perfeição].

    Especificamente sobre Ez 18.23, escrevi um longo comentário no meu blog ao Frezza. Reproduzirei um trecho: "Neste sentido, o "desejar" do verso 23 se relaciona com o "prazer" do verso 32, de tal forma que Deus não tem prazer na morte do ímpio, pois ele não é sádico, mas justo. O juiz sentencia não por prazer, mas para praticar a justiça, cumprindo a Lei. O chamado é evidente: "Convertei-vos, pois, e vivei". Ordem, preceito, exortação, chamado".

    Portanto, para mim, não existe a vontade de Deus de que todos os homens sejam salvos, o que seria incoerente, visto não ter salvo todos; o qual você explicou parcialmente aqui, e concluirá no próximo texto sobre expiação ilimitada.

    Grande abraço, meu irmão!

    Cristo o abençoe!

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  4. Jorge, é a negação (e não a afirmação) das 2 vontades que implicará inevitalmente em formas distorcidas de doutrina, como o universalismo, o inclusivismo, o arminianismo, o pelagianismo, etc.

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  5. Tiago,

    sem invadir demasiadamente o espaço do Mizael, pergunto-lhe: como é que a negação das 2 vontades implicará nas distorções da doutrina?

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  6. Helvécio,

    Agradeço-lhe por sua visita e comentário. Fico também feliz por saber que o verei por aqui mais vezes.

    Graça e Paz
    Mizael Reis

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  7. Jorge,

    Gostei de seu comentário, pois ele não dicotomiza o querer de Deus, e sim apresenta as formas com as quais Ele se manifesta, com graça para o eleito e justiça para o réprobo. Ou seja, com os Israelitas eleitos, ele apresenta o seu desejo ou o prazer. E para as nações as quais não foram estendidas esse seu desejo de querer, resta-os somente o silencio de Deus, julgando-os.

    Realmente não vejo como poderemos avaliar tal questão de outra forma, senão bipolarizarmos a Deus de querer duas coisas, fazer duas coisas para com a mesma pessoa, e uma pessoa a qual ele determinou na eternidade para não tê-lo.

    Graça e Paz
    Mizael Reis

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  8. Tiago,

    Além das bases bíblicas a recorrermos, na lógica, sua afirmação não se sustentará, visto que, o princípio da não-contradição não é esse. Ele garante, pelo contrário, que uma proposição não poderá ser verdadeira ou falsa ao mesmo tempo, dessa forma, arvorando contra a tese de que Deus quer salvar uma pessoa, ao mesmo tempo em que deseja condená-la. Isso é uma contradição segundo a lógica.

    Fico feliz por sua visita e comentário.

    Graça e Paz
    Mizael Reis

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  9. Pessoal,

    Todos invadam o meu espaço a vontade. A discussão sempre é o melhor caminho a se percorrer para compreender o diferente.

    Estejam à vontade.

    Graça e Paz
    Mizael Reis

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  10. "Afirmar que Jesus é o único caminho que nos conduz a salvação, ao lado da afirmação de que Deus deseja que todos os homens sejam salvos, inclusive os que morreram sem terem sequer ouvido o nome de Jesus, nas terras onde, muitos ainda morrerão sob tal condição, é expor Deus a uma visão mais turva e nublada da qual se acarretará implicações ainda mais desastrosas".

    Em que creriam aqueles que nada ouviram de Cristo? Qual o objeto dessa fé?

    Em Cristo

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  11. Paulo,

    Fico feliz por tê-lo por aqui novamente.

    O texto procura mostrar exatamente essa inevitável conclusão, com a qual eu não concordo, mas, será a única conclusão para os que acreditam que Deus não condenará os que morrem sem terem ouvido a mensagem do evangelho, e a conclusão será aderir-se ao inclusivismo e todas as suas implicações de religiões implícitas. Não há alternativa.

    Você pergunta "Em que creriam aqueles que nada ouviram de Cristo e qual é o objeto dessa fé. Bom, a meu ver, por ser restritivista, e tal restritivismo baseando-se em passagens bíblicas como a que se segue,

    Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue"? [Rm 10.13,14]

    Então não há nada, nem alguém para ser crer para salvação além de Jesus Cristo. Se todos aqueles que invocarem o nome do Senhor serão salvos, mas só o invocarão aqueles que nele creram então estes salvos, ouviram sua mensagem, o que faz com que o apóstolo pergunte, qual seria a possibilidade de nele alguém crer, caso não ouçam a seu respeito. Então não há uma religião, conduta de ética, outro deus, ou, outra fé que possa salvar senão o Cristo, o que me leva a concluir que todos os que não conhecerem a Jesus serão condenados. A única solução para quem não concorda com a radicalidade e exclusividade que carrega tal conclusão, repito, é o inclusivismo.
    Agradeço-lhe por seu comentário.

    Graça e Paz
    Mizael Reis

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  12. Mizael,

    desculpe (a deficiência é minha) não entendi bem a conclusão que apresentaste.
    Pareceu-me que Inclusivismo é uma proposta de outra via para salvação à parte de Cristo.

    Se for isto mesmo, é apenas a apresentação do Inclusivismo ou sua verdadeira crença na salvação terna?

    Em Cristo

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  13. Paulo,

    Desculpe-me se não fui claro. A verdade é que eu escrevi este texto motivado pela discussão que ora se delonga no Kálamos. Eu não acredito no Inclusivismo. No texto eu digo que sou restritivista, ou seja, creio que só Cristo salva, e nada nem quaisquer crenças além dEle. Eu procuro no texto elucidar que os que dizem acreditar no desejo de Deus de querer que todos se arrependam, a meu ver, terão de acreditar que a única forma de tal coisa se concretizar será por meio do Inclusivismo. Essa é a crença que valida e explica tal desejo, uma vez que Cristo não está, e nunca foi pregado, abrangentemente, a todos os povos e pessoas. Daí, tal compreensão deverá ser validada, por meio de religiões implicitamente verdadeiras, pelas quais Deus trará à salvação aos povos que desconhecerem a religião explicitamente verdadeira, o Cristianismo. Apenas estou apresentando tal proposta, com a qual, evidentemente, não tomo parte.

    Graça e Paz
    Mizael Reis

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  14. Mizael,

    que o Senhor seja louvado!

    sola scriptura, solus Christus.

    Em Cristo

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  15. Paz do Senhor varão!


    ORAÇÃO ANTES DA MORTE

    A oração que se segue foi encontrada no bolso de um soldado norte-americano desconhecido. Ele tombou em pleno campo de batalha, estraçalhado por uma granada. Dele só havia restado, intacta em um de seus bolsos rasgados e ensangüentados, uma folha de papel contendo esta oração em forma de poema. Ora, tendo sido um homem que antes jamais se preocupara com Deus ou com o destino de sua alma na eternidade, o que o teria levado a pensar no seu Criador horas antes de morrer, senão a voz da consciência, e o testemunho da Criação?(At.17.26-27; Rm.1.20 e 2.14-15)
    Escuta Deus:
    Jamais falei contigo.
    Hoje quero saudar-te. Bom dia, como vais?
    Sabes, disseram que tu não existes,
    e eu, tolo, acreditei que era verdade.
    Nunca havia reparado a tua obra.
    Ontem à noite, da trincheira rasgada por granadas
    vi teu céu estrelado
    e compreendi então que me enganaram.
    Não sei se apertarás a minha mão.
    Vou te explicar e hás de compreender.
    É engraçado: neste inferno hediondo causado pela guerra
    achei a luz para enxergar teu rosto.
    Dito isto, já não tenho muita coisa a te contar:
    só que... que... tenho muito prazer em conhecer-te.
    Faremos um ataque à meia-noite.
    Não sinto medo.
    Deus, sei que tu velas...
    Ah! é o clarim! Bem, Deus, devo ir-me embora.
    Gostei de ti, vou ter saudades... Quero dizer:
    será cruenta a luta, bem o sabes,
    e esta noite pode ser que eu vá bater à tua porta!
    Muito amigos não fomos, é verdade.
    Mas... sim, estou chorando.
    Vês, Deus, penso que já não sou tão mau.
    Bem, Deus, tenho que ir. Sorte é coisa bem rara.
    Juro, porém: já não tenho medo da morte.
    Raimundo Cintra e Rose Marie Muraro. Op. Cit. p. 139.

    Misael, esse cara foi salvo?
    Pois pelo o que vejo não houve uma cofissão em Jesus.

    Jean Patrik

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  16. Jean,

    Você apresenta uma poesia cuja veracidade não se pode provar, e, busca por meio desta contra-argumentar o restritivismo. Bom, dar-lhe-ei algumas observações. Busque primeiro validar um argumento pela Escritura, se é que você pretende defender um pensamento como bíblico. Uma citação, uma poesia, uma crendice não deve ser evocada como argumento sobre o qual se possa buscar refutar uma crença fartamente sustentada por inúmeras passagens bíblicas - restritivismo.

    Enfim, caso ainda se pudesse supor que tal argumento por você usado fosse digno de refutação, eu lhe diria que ele sequer poderia ser usado como uma base de uma crença inclusivista, segundo a qual há no homem uma tocha de consciência com a qual poderá ser salvo à parte de Cristo. Isso porque o tal soldado, segundo a poesia, era americano, ou seja, de um povo que não crê no Cristo não porque nunca ouviu a seu respeito e sim porque o ouviu e o rejeitou. Para que se possa valer desse poema, para que por meio da experiência desse soldado se afirme a salvação pela consciência sem Cristo, você deverá provar, ou ao menos supor que tal soldado americano não conhecia a Cristo. É possível dizer isso? Receio que não!

    Você creria que seria possível a um Budista ser salvo, tão somente crendo em buda, ou por meio da crença em Buda, alegar que há em tal crença convergência com Cristo, pela qual o tal poderá ser salvo?

    Procure estudar mais sobre as implicações do inclusivismo e verá que ele não é nada bíblico, muito pelo contrário, é nocivo a fé Cristã. Recomendo-lhe que leia John Sanders e seu livro "Que será daqueles que nunca ouviram", e detalhe, ele é liberal e um dos maiores proponentes do teísmo aberto por meio de seu livro "O Deus que se arrisca".

    Estude.

    Graça e Paz
    Mizael Reis

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  17. Caro Mizael,

    Acredito que tenha se equivocado em comparar um fato veridico com uma poesia fantasiosa.

    Outra coisa, eu não disse que ele nunca teria ouvido falar de Jesus, você deve ter lido rapido, pois o que eu disse foi: "Misael, esse cara foi salvo?
    “Pois pelo o que vejo não houve uma confissão em Jesus.”

    Cara você tem que parar de generalizar, pois não sou inclusivista, fica tranqüilo.

    Até porque não gosto muito de ser rotulado, principalmente os que não me agrada (arminiano, calvinista, pelagiano, molinismo, restauracionista, universalista etc).

    "Você creria que seria possível a um Budista ser salvo, tão somente crendo em buda, ou por meio da crença em Buda, alegar que há em tal crença convergência com Cristo, pela qual o tal poderá ser salvo?"

    Não!

    Mas se o budista deixasse ser budista por sua consciência lhe dizer que o Deus que criou todas as coisas é maior que Buda.
    Vou tentar ser mais claro, se acontecesse com o budista o que aconteceu com o ateu?
    Seria salvo?
    O que quero saber não tem nada ver com o inclusivismo, só quero saber se pode haver essa hipótese de salvação de uma pessoa onde ela reconheça ou tatei o Deus através da criação e da consciência.

    Cara se você dizer que isso também é inclusivismo, quando te ver lhe darei uns cascudos!

    Paz do Senhor varão!!!

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  18. Jean,

    Você diz:

    "Mas se o budista deixasse ser budista por sua consciência lhe dizer que o Deus que criou todas as coisas é maior que Buda".

    Com base em qual conhecimento o budista abdicaria de sua crença em Buda para devotar-se ao Deus verdadeiro?

    Dependendo de sua resposta, ou você resvalará para o inclusivismo, ou, crerá numa salvação tal que ainda nunca ouvi dizer a respeito, ou seja, a de se crer na relação do Deus verdadeiro sem a base pela qual se crê num Deus verdadeiro.

    Como alguém pode ter consciência do Deus verdadeiro sem a Lei por meio da qual se conhece o Deus Verdadeiro?

    Existe a possibilidade de se crer no Deus verdadeiro à parte do Cristo que o revelou? Se houver, segundo sua forma de pensar, isso será inclusivismo.

    Você ainda diz:

    "Até porque não gosto muito de ser rotulado, principalmente os que não me agrada (arminiano, calvinista, pelagiano, molinismo, restauracionista, universalista etc)".

    Amado, neutralidade não existe! Seu Cristianismo não é uma leitura neutra e originalmente a distar-se dos que te antecederam, razão pela qual você é pentecostal, e tal termo não é diferente em categoria aos termos por você citados. Alguém poderá alegar ser Calvinista no mesmo sentido pelo qual alguém poderá alegar ser pentecostal.

    Eu não creio na salvação pela consciência. Isso não é bíblico. A salvação é por Cristo, e por Cristo somente, ao ponto de tudo quanto for além disso, desbancará no pluralismo e no inclusivismo.

    Graça e Paz
    Mizael Reis

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  19. Pelo que entendi o soldado não foi salvo, é só isso o que queria saber.

    Mizael, o inclusivismo é do tempo da reforma protestante?

    Interpletações teólogicas surgem constatemente umas diferente das outras independente da qual exista.


    Existe a centralidade bíblica que nos faz ser neutros em muitos pensamentos de outros teólogos.
    Exemplo:
    Você é calvinista, mesmo assim, acredito eu, que você não concorde com Calvinio em tudo.

    É por isso que não gosto muito de rótulos, pois se disser que sou pentecostal, terei que defender o pentecostalismo.
    Lembrando que sou pentecostal rotulado e tudo.


    Infelizmente o partidarismo (1.co.1.12) ainda está vivo em nosso meio.

    Paz do Senhor!

    Jean Patrik

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  20. Jean,

    O inclusivismo existe desde os tempos Patrísticos com Justino, passando por John Wesley, Strong, e muitos outros. Ela é uma doutrina existente em círculos arminianos, calvinistas e "liberais".

    Sou Calvinista porque encontro ele fartamente nas Escrituras. Não sou inclusivista porque não o encontro nas Escrituras. Não é uma questão de ser calvinista porque Calvino ensinou a doutrina da predestinação. Ele foi alguém que com maestria viu tal doutrina nas Escrituras e a sistematizou. Só isso.

    Não existe essa isenção do tipo "não gosto de rótulos". Se você julga ser pentecostal está se valendo deles, tal como me valho do termo calvinista ou reformado.

    Evidentemente que o partidarismo existente entre os Coríntios não tem nada a ver com a apropriação de termos cuja doutrina concordamos. Do contrário se assim o fosse, todos seriam condenados por essa interpretação, inclusive você. Lembre-se que você é: Assembleiano, pentecostal, dispensacionalista, pre-milenista, pre-tribulacionista, etc..

    Devemos compreender com maturidade a razão pela qual nos identificamos com termos, que para nós converge com que a Escritura ensina.

    Graça e Paz
    Mizael Reis

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  21. "O inclusivismo existe desde os tempos Patrísticos com Justino, passando por John Wesley, Strong, e muitos outros. Ela é uma doutrina existente em círculos arminianos, calvinistas e 'liberais'."

    Concordo.

    "Não existe essa isenção do tipo "não gosto de rótulos". Se você julga ser pentecostal está se valendo deles, tal como me valho do termo calvinista ou reformado."

    Como se vê não gostar não quer dizer que não é.
    Mas dizer que sou inclusivista é generalizar o assunto. Porque não digo que pessoas que nunca conheceram a Cristo irão ser salvas por Buda, Shiva, Brahma, Hórus, Hermes etc.

    O que acredito é que o homem pode chegar ao conhecimento de Deus por manifestação (sonho, visão, revelação) como foi com Abraão - pela consciência moral (Rm.2.15) - e pela criação (Sl.19.1 e 97.6; Rm.1.19-20) como foi com o saldado escrito acima.

    Se você quiser inventar um nome para isso tudo bem, mas dizer que eu sou inclusivista é exagero.


    Mas de qualquer forma é um tipo de partidarismo não tem como fugir disso.

    "Devemos compreender com maturidade a razão pela qual nos identificamos com termos, que para nós converge com que a Escritura ensina."

    Entendo.

    Fico por aqui amado, é sempre um prazer trocar idéias contigo, independente das nossas convergencias.

    Paz do Senhor!

    Jean Patrik

    Jean Patrik

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  22. no lugar de convergencias (divergencias)

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  23. Como a algum tempo que não fazia uma visita, hoje resolvi ver o que está a escrever.É o anseio da minha alma que Jesus seja consigo, e encaminhe seus passos pela vereda da justiça. E que Ele cresça na sua vida de maneira que seja visto pelas pessoas que rodeiam sua vida, que o amor de Jesus fortaleça sua vida, e seja como um rio transbordante. Também resolvi dizer-lhe que embora não te conheça mas em Cristo te amo, e continue a ser luz. Um abraço. Se desejar, mas é só se quiser siga meu blog, de volta seguirei o seu.

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  24. Shalom!
    Navegando pela internet acabei encontrando esse blog e como tem um conteúdo reformado igual ao meu blog passei a ler um pouco...
    Muito legal seu blog, simples e com um bom conteúdo!
    Quando poder faça uma visitinha também no "Estudos e Mensagens Cristãs". Blog reformado calvinista.
    Um grande abraço e que Deus continue te abençoado grandemente!

    Trovian Maucellus
    http://trovian.blogspot.com.br/

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  25. Rapaz! E não é que o Miza tem seu blog? E nem fala nada...

    Primeiro, o fato puro e simples de Deus não desejar a morte do ímpio, não implica que o ímpio fatalmente viverá. Esta é uma vontade antecedente em Deus. A vontade consequente só será idêntica, se o impio de fato se arrepender de seus caminhos e abraçar a oportunidade dada por Deus.

    Claro, você vai afirmar que o homem é naturalmente incapaz. E eu vou afirmar que Deus concede graça suficiente, mas não intrinsecamente eficaz, para que o homem possa escolher positiva ou negativamente.

    Assim sendo, seu argumento perde toda a força.

    Se Deus afirma, claramente, que Ele não deseja a morte do impio, e que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade, mas mesmo assim alguém se perde, eu só posso dizer: a culpa é do homem. O homem em momento algum vai poder alegar que Deus jamais o quis salvar, ou qualquer besteira do gênero. Deus deu chances a todos - ou acaso Ele disse 'me procurem em vão, em meio ao caos'?

    E assim seu argumento de que Deus está falando com Israel somente não se sustenta. É da natureza boa, justa, sábia e amorosa (como ser maximalmente concebível do argumento de Anselmo) não desejar o mal sem motivo. Assim sendo, a sua citação de que Deus fala a Israel, não implica a leitura 'Deus não quer que o impio ISRAELITA SOMENTE pereça'.

    E mesmo que por um momento eu conceda isto, meu argumento continuaria de pé - ou todos os israelitas sem exceção deixaram de perecer? Afinal, Deus não quer que os impios de Israel pereçam. Então os que pereceram foram os justos? Eita, Deus manda justos pro inferno agora?

    A alguns dos que te elogiam: ô gente, larga a mão de serem cheerleaders! Será que não dá vocês estudarem o argumento e encontrar furos tão primários? Já tem até gente equiparando arminianismo com pelagianismo (e tu sabes muito bem que isto é falso...).

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  26. Atorres,

    Eu posso respondê-lo agora ou, posso esperar que você tente refutar aquilo que busquei dizer nesse artigo, que essa crença de que Deus tem boas intenções sobre todos deságua no inclusivismo. Porém, se você não se atentar para este segundo fato, você não terá refutado a idéia do texto, logo, não vejo sentido em replicá-lo se você não se atentar para o argumento deste texto.

    O meu argumento não caiu, porque você não provou que mesmo Deus não tendo se revelado às demais nações - ou, caso não creia nesta verdade - mesmo que o evangelho não tenha chegado às demais nações, Deus deseja que todas as pessoas sejam salvas. A questão é que, se Deus deseja que todas as pessoas sejam salvas, então ele deve ter provido os meios pelos quais seu desejo pode ser consumado, tornando, de fato, seu desejo uma realidade, algo atingível, e a única crença que diz que Deus tem estabelecido uma possibilidade real à todos os povos, mesmo que tais povos não conheçam o evangelho é o Inclusivismo.

    Esta é questão. Se for pelo evangelho que a salvação se consuma, sendo pela pregação deste que a graça preveniente se faz revelar, e, se tais instrumentos não estão disponíveis aos inalcançados, a pergunta é: Como Deus deseja salvar todas as pessoas se o meio pelo qual ele revela sua salvação não está disponibilizado à todos? Se você disser que tal meio está disponível a todos, então você terá de endossar a crença inclusivista. Se não endossá-la, então você não derrubou o argumento de meu texto.

    Meu propósito em escrever este texto não foi para discutir aquelas questões primárias nas quais nós discordamos. Antes, foi para provar que o desejo de Deus sobre todos deságua na crença inclusivista. Atente-se para esse fato, antes de discutirmos aquelas questões nas quais recorrentemente nos confrontamos.

    Pergunta direta: O desejo de Deus sobre todas as pessoas se concilia com o restritivismo?

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    Respostas
    1. PAZ AMADO!!

      AQUI,OBSERVANDO O SEU COMENTÁRIO SENTI O DESEJO DE NOVAMENTE COMENTAR(POIS JA FIZ UM COMENTÁRIO MAIS ABAIXO).

      EM JOÃO 14.6 JESUS DEIXOU CLARO QUE ELE É O ÚNICO CAMINHO PARA A SALVAÇÃO. TEMOS TB MUITOS OUTROS TEXTOS QUE DIZEM A MESMA COISA ENTÃO, NÃO EXISTE OUTROS MEIOS QUE DEUS PROVIDENCIOU,SEGUNDO AS ESCRITURAS. VC SABE QUE TODOS OS QUE FORAM SALVOS NO AT,TAMBÉM FORAM SALVOS EM CRISTO,O CORDEIRO DE DEUS "QUE FOI MORTO ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO" .

      EM CRISTO,
      MARIO CEAR DE ABREU

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  27. Primeiro, eu mesmo não estou 100% convencido de que o Evangelho proíba o inclusivismo (muito desse assunto se envolve com escatologia, algo que só comecei a estudar recentemente). Mesmo assim, vou por ora tomar a posição de um exclusivista - 'somente pelo conhecimento real da revelação neotestamentária é possível ser salvo'.

    Segundo, eu não preciso de fato explicar como Deus lida com aqueles que jamais ouviram o Evangelho.
    Deus pode:
    * afirmar com toda a seriedade que Ele não deseja a morte do pagão;
    e mesmo assim
    * o pagão pode acabar por morrer pagão e (pelo exclusivismo) perecer.

    Não há contradição explícita entre estas crenças. Quem tem que acrescentar premissas de modo a incorrer em contradição com a minha crença é você.

    Resposta Direta: até prova em contrário, sim - o desejo de Deus é compatível com o exclusivismo.

    Fecho esta parte com uma Deuteronomada 29:29. Problema?

    Terceiro: seu argumento tem duas partes - a primeira é encaixar este trecho no calvinismo (e eu acho que já apontei problemas suficientes neste encaixe...), e a segunda é apontar um problema na aplicação arminiana. Acho que com isto eu me livro de sua objeção de inclusivismo.

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  28. PAZ AMADO!!

    TEM MUITA COISA AÍ PRA SER COMENTADA MAS SÓ VOU LEMBRAR TE DE UMA: A CARTA AOS ROMANOS TEM A RESPOSTA PARA QUEM MORRE SEM OUVIR O EVANGELHO DE JESUS;LEIA OS VERSOS ABAIXO.
    "Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu."
    (Romanos 1:18-21)E POR FIM O ULTIMO VERSO:"Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados."
    (Romanos 2:12)

    EM CRISTO,
    MARIO CESAR DE ABREU

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  29. "Primeiro, eu mesmo não estou 100% convencido de que o Evangelho proíba o inclusivismo (muito desse assunto se envolve com escatologia, algo que só comecei a estudar recentemente). Mesmo assim, vou por ora tomar a posição de um exclusivista - 'somente pelo conhecimento real da revelação neotestamentária é possível ser salvo'".

    As escrituras condenam o inclusivismo. Se você tomá-lo como verdadeiro, estará incorrendo na minha conclusão, o que tornaria desnecessário qualquer continuidade, visto que estaria ratificando o que disse em meu artigo. Então, a fim de poder objetar o que eu disse, você deve assumir que o restritivismo é possível ao arminiano, sem riscos para com a sua teologia.

    "Segundo, eu não preciso de fato explicar como Deus lida com aqueles que jamais ouviram o Evangelho.
    Deus pode:
    * afirmar com toda a seriedade que Ele não deseja a morte do pagão;
    e mesmo assim
    * o pagão pode acabar por morrer pagão e (pelo exclusivismo) perecer".

    Você está sendo inconscientemente contraditório. Ao dizer não lhe ser possível explicar qual seja a maneira pela qual Deus lida com os que jamais ouviram o evangelho, você está negando o restritivismo, visto que nesta visão é claramente vista a condenação dos que jamais ouviram o evangelho, ao tempo em que não se decide pelo inclusivismo ao se calar quanto a maneira como Deus poderia tratar com os inalcançados.

    Se você crê no restritivismo, essa sua indecisão quanto a maneira como Deus lida com os inalcançados deve inexistir, pois se são inalcançados, o restritivismo conclui que serão condenados. Não existe meio-termo.

    Agora, se Deus pode desejar salvar o ímpio sem dar-lhe a possibilidade real de poder de fato ser salvo, ao mesmo tempo, não sendo tal coisa como um desejo utópico, eis algo que você deveria me ajudar a compreender. Por um lado, eu até entenderia, visto que não há sobre o inalcançado a existência da graça preveniente, por não conhecer a palavra da qual a graça preveniente se manifesta. Mas, a grande questão é que você diz não existir incoerência entre o desejo de Deus para salvação do inalcançado ao lado de sua decisão de não prover um meio pelo qual seu desejo seja real ao inalcançado.

    "Não há contradição explícita entre estas crenças. Quem tem que acrescentar premissas de modo a incorrer em contradição com a minha crença é você".

    É sobre isso que precisamos discutir. Se Deus não faz da salvação uma realidade ao inalcançado, mesmo desejando salvá-lo, eu gostaria de saber como isso não incorreria numa abstração do desejo de Deus, no mesmo sentido em que incorre o universalismo hipotético. Explique-me isso, com base em 1 Timóteo 2, capítulo no qual o desejo de Deus pelos homens está atrelado a manifestação de cristo, na redenção do seu sacrifício.

    "Resposta Direta: até prova em contrário, sim - o desejo de Deus é compatível com o exclusivismo".

    É possível então Deus querer salvar alguém para quem ele não torna a salvação algo realmente possível? Deus quer algo que não está de fato ao alcance do seu querer para aquele inalcançado?

    "Terceiro: seu argumento tem duas partes - a primeira é encaixar este trecho no calvinismo (e eu acho que já apontei problemas suficientes neste encaixe...), e a segunda é apontar um problema na aplicação arminiana. Acho que com isto eu me livro de sua objeção de inclusivismo".

    O calvinismo não vê problemas com o restritivismo. A exceção de alguns como William shedd, o calvinismo tem sido predominantemente restritivista. Todos estão perdidos sem cristo é uma afirmação feita pelo calvinista sem risco de quaisquer possíveis contradições. Agora, se ao arminiano, Deus anseia salvar a todos sem exceção, você deveria refletir melhor sobre não haver problemas na visão segundo a qual Deus pode desejar salvar alguém para quem não tem provido nenhum meio pelo qual essa salvação pode ser sequer possível.

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  30. Depois de semanas esperando eu até tinha esquecido!

    1 - Seu comentário sobre o inclusivismo foi claramente desnecessário. Primeiro, a Bíblia não é diametralmente contra o inclusivismo da mesma forma que é contra o ateísmo. Segundo, isso jamais foi declarado heresia como por exemplo o pelagianismo é considerado. Terceiro, eu fui bem claro que eu argumentaria pelo pior - restritivismo.

    2 - Ao dizer não lhe ser possível explicar qual seja a maneira pela qual Deus lida com os que jamais ouviram o evangelho, você está negando o restritivismo,

    Argumentação pela ignorância. O fato de eu não saber explicar como Deus lida com os ignorantes, não nega o restritivismo. Deve com certeza existir inclusivistas com mais argumentos que eu. É como eu declarar que o calvinismo é falso só porque o Sproul não sabe por que um é escolhido e o outro não.

    visto que nesta visão...

    Irrelevante.

    Se você crê no restritivismo, essa sua indecisão quanto a maneira como Deus lida com os inalcançados deve inexistir...

    Que indecisão estou falando? Você não apontou uma contradição explícita em Deus desejar a salvação de todo ser humano - incluso o pagão - e o fato que os pagãos ignorantes vão pro inferno. Eu sequer neguei isso, já que disse que argumentaria como restritivista. Até me pergunto de onde você tirou minha 'indecisão pelo destino dos evangelizados'.

    Acaso você está confundindo minhas crenças pessoais com a minha argumentação?

    Aliás, me desculpe mas a partir daqui serei muito chato. 'Gosto das coisas bem explicadinhas nos seus mííííííííínimos detalhes'.

    Agora, se Deus pode desejar salvar o ímpio sem dar-lhe a possibilidade real de poder de fato ser salvo,
    Mas Deus dá possibilidades a todos, de uma forma ou de outra. São Paulo de Tarso é bastante claro em Romanos ao firmar que não existe um único ser humano consciente que não tenha um sinal de Deus. Isso tanto é verdade que não existem povos irreligiosos por default. O próprio 'argumento do vazio interior' de Clive Staple Lewis poderia ser invocado aqui, entre numerosos argumentos de teologia natural (alguns deles simples o suficiente paar uma pessoa comum empreender em maior ou menor grau).

    Craig tratou disso em um artigo já traduzido contra o pluralismo, lá no Fórum Arminianismo: http://goo.gl/ytykU

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  31. CONT

    Creio que tais possibilidades de fato são reais e bastante plausíveis até. Afinal o ser humano de uma forma ou outra tem algum conhecimento de Deus, ainda que sem o completo discernimento.

    Mas, a grande questão é que você diz não existir incoerência entre o desejo de Deus para salvação do inalcançado ao lado de sua decisão de não prover um meio pelo qual seu desejo seja real ao inalcançado.

    Acho que a pergunta aqui envolve muito da crença pessoal tanto minha como arminiano e sua como calvinista. Para você, Deus não pode afirmar desejar uma coisa e não realizá-la. Eu até creio nisso, mas com diversos qualificativos.

    Por exemplo, como arminiano creio piamente que Deus deseja salvar todo e qualquer ser humano sem exceção entre seres humanos. Portanto, todas as barreiras que impediriam o homem de ser salvo são transpostas pelo próprio Deus.
    Depravação total? Deus usa da graça preveniente.
    Pecados a serem punidos? Expiação ilimitada.
    Ninguém busca a Deus? Deus busca as pessoas.

    Para qualquer pessoa, nada disso é desculpa. Em momento algum é dito que Deus selecionou pessoas com o claro intuito de criá-las e ignorá-las. Afinal a própria revelação geral é uma prova de que Deus está às portas de todos.

    Mas Deus não está meramente interessado em 'colocar pessoas no Céu' e acabou. Ele procura verdadeiros adoradores, um relacionamento íntimo e pessoal, e não 'pessoas com medo do inferno'. Por isso Ele estipula outras tantas regras - fé e perseverança em Jesus Cristo, prática das boas obras etc.

    O fato é simples: Deus não deseja a morte do ímpio, logo seria incoerente uma eleição incondicional e uma expiação limitada a partir daí. Como nem todos são salvos, não é porque Deus arbitrariamente virou as costas mas sim porque os homens conscientemente rejeitaram Sua graciosa oferta.

    Tudo bem que pensando probabilisticamente é impossível que somente a revelação geral salve alguém, mas não estou interessado nisso. O que precisa de fato ser demonstrado para que o exclusivismo implique falsidade do arminianismo é que a revelação divina, em especial a revelação geral, não tenha eficácia nenhuma na salvação.

    Acho que escrevi demais até, mas creio que o ônus de demonstrar que o desejo divino universal não implica inclusivismo não é tão grande assim.

    É possível então Deus querer salvar alguém para quem ele não torna a salvação algo realmente possível?
    Eu acho que já argumentei que a salvação é pelo menos teoricamente possível para o não-evangelizado. Já na prática a coisa é diferente.

    Deus quer algo que não está de fato ao alcance do seu querer para aquele inalcançado?

    Depende muito do que você quer dizer 'ao alcance de seu querer'. Vou ver se traduzo um comentário de Arminius sobre a vontade de Deus, mas até lá não me parece logicamente impossível Deus desejar salvar uma pessoa que enfim Ele não salvou. Afinal de contas se eu negasse isso eu não seria arminiano, ó pá!

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  32. MAS, em vez de enrolar e atacar meu arminianismo de graça, você tem que se livrar da objeção da sinceridade: por que Deus deseja uma coisa que Ele não coloca em prática? Por que Deus não deseja a morte de quem Ele criou especificamente para matar? Ah, sabemos que nem todo judeu é salvo mas quase todo judeu foi impio.

    Mais uma coisa: pouco importa o que os calvinistas acham do inclusivismo. Você até citou monergistas inclusivistas, mas tô pouco interessado nisso.

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  33. Graça e paz a todos! Caro Mizael Reis. Dar pra ver que o irmão tem sua mente já cauterizada por ensinos de homens que não aceitavam ser contestados e ordenaram a morte física de muitos apenas por isto.

    É claro que Deus constituiu Ezequiel como ATALAIA sobre a casa de Israel, mas também e notório e incontestável que Jesus AFIRMOU que veio APENAS PARA AS OVELHAS PERDIDAS DE ISRAEL como vemos em Mateus 15:24. Que diremos então? Como Jesus só falou praticamente aos judeus tudo que disse e ensinou só se destina aos judeus?
    Claro que NÃO. A resposta a isto é encontrada em Mateus 28:19-20.

    Assim caro Mizael, o revelado por Jesus aos judeus que creram Nele em João 8:31-32, é extensivo a nós antes povo gentio.
    Porque ainda em Ezequiel 3:20 Deus mencionaria "por um tropeço" diante do justo?
    Diante desses fatos caro Mizael, as revelações de Deus em Ezequiel são ensinos pelos quais podemos usar como "balizadores" do proceder de Deus. Se foi assim que Deus procedeu para com os judeus que era o povo escolhido e separado, tal ensino nos mostra
    como seja sua vontade e ficamos cientes de tal fato.

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